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NATAL/RN: Buracos espalhados pela cidade exigem “malabarismos” de taxistas natalenses Em entrevista ao Agora Jornal, profissionais que dirigem durante o dia pela capital potiguar relataram as dificuldades que enfrentam no dia-a-dia, o que coloca em risco a integridade de seus veículos e suas próprias vidas

José Aldenir / Agora Imagens
Buracos em Natal atrapalham taxistasRedação


As ruas de Natal têm se mostrado um verdadeiro campo minado de buracos para os condutores de veículos que trafegam pela cidade, profissionalmente, ou não. Exemplos disso são os taxistas, com quem a reportagem do Portal Agora RN / Agora Jornalconversou para conhecer suas opiniões acerca do trabalho que a prefeitura vem fazendo, bem como as maiores dificuldades que enfrentam, e os “malabarismos” que precisam fazer – como um deles relata – ao dirigirem por Natal.

José Batista, 60 anos, aguarda a clientela sob as sombras das árvores do ponto de táxi na lateral da Praça das Flores, em Petrópolis. Enquanto espera, ele conta de dentro de seu veículo que tem sido muito cuidadoso para não danificá-lo ao encarar os buracos de Natal. Trafegando há mais de 30 anos na área de Petrópolis, José já conhece o “caminho das pedras”, o que não significa que o cenário não precise mudar.

“Há bastante buracos em Natal, alguns por causa da chuva e porque o asfalto não aguenta. É preciso reciclar a pista para tapar os buracos. Nós, motoristas, fazemos malabarismos nas pistas para nos livrarmos dos buracos. O prefeito tem que agir”, disse José.

A opinião de Janílson Guedes, 29 anos, é similar. Para o taxista, até mesmo quando a prefeitura tenta ajudar, acaba atrapalhando pelos horários que escolhe agir. “Quando resolvem fechar um buraco, eles fecham o trânsito e prejudicam toda a população, porque eles não têm bom senso ao ponto de ver que estão prejudicando pais de família, pessoas, ambulâncias, motos… Eles agem de má-fé na hora do trabalho, que é o maior horário de pico”, queixa-se.

Questionados sobre quais são os locais mais difíceis de trafegar pela quantidade de buracos, os dois taxistas foram uníssonos ao selecionaram a avenida Prudente de Morais. “Agora que estão tentando resolver, mas, como eu disse, na hora errada e prejudicando a gente”, aponta Janílson, que também citou partes da zona Norte, como a avenida Moema Tinoco, em Pajuçara; e zona Oeste, como a avenida Felizardo Moura, bairro Nordeste, e a Mário Negócio, nas Quintas. José Batista, por sua vez, incluiu a subida de Mãe Luiza, zona Leste, e também as periferias. “Natal está toda entregue aos buracos”, declarou.

Batista também lembra que um dos principais riscos ao se passar em cima dos buracos é comprometer a integridade dos veículos. Felizmente, ele ainda não passou por isso, principalmente por causa da experiência que adquiriu ao longo de três décadas. “Se o carro for danificado, quem tem que arcar com o prejuízo sou eu, a prefeitura é que não vai pagar”.

Janílson, por outro lado, não foi tão sortudo. Ele contou uma desventura própria pela qual passou por causa de um buraco na Moema Tinoco. Desanimado, ele acredita que continuará a passar por situações assim.

“Eu já passei, passo e com certeza vou passar por isso mais vezes, assim como meus colegas, por causa da negligência das autoridades. Os buracos têm danificado de forma muito contundente nossos carros. O táxi não escolhe por onde vai; vai para onde o passageiro quer. Por exemplo, na Moema Tinoco, em um dia de chuva, fui com uma passageira que estava a ponto de desmaiar de tanta dor e tive que ir por cima de um buraco, não pude fazer o desvio. Coloquei a integridade do meu carro em risco para conduzir a moça ao hospital de urgência. Que as autoridades se compadeçam, nos ajudem e façam suas obrigações, já que pagamos impostos e estamos ao bel-prazer da má administração da nossa cidade”.

Analisando o aspecto econômico, Janílson pensou até nos impactos que os buracos podem causar no turismo de Natal, atrapalhando a arrecadação financeira da cidade. Acostumado a transportar pessoas vindas de outras locais, ele admite que chega a passar vergonha quando transita pelas ruas da capital potiguar.

“Sabemos que Natal é autossuficiente e riquíssima, não precisa de grandes empresas porque é dotada do turismo. Só que infelizmente não há investimento nessa área. O turista chega à nossa cidade e a primeira impressão que tem é de uma cidade suja, esburacada e abandonada. Eles e eu ficamos até constrangidos de ver tantos buracos na nossa cidade”, expôs.

Cuidando das vias de Natal está a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU). Em teoria, ela seria a responsável por remediar os problemas envolvendo buracos, mas, para Janílson, não é isso que vem acontecendo. “A Secretaria de Mobilidade de Natal é muito fraca”.

PROBLEMAS DE FLUXO

A despeito dos buracos, algo que também atrapalhado os motoristas é a dificuldade no fluxo do tráfego. Janílson Guedes cita o exemplo do trânsito na Ponte Newton Navarro. Pensando fora da caixa, o taxista aponta que, no fim das contas, não é o motorista ou o passageiro que sai ganhando com a liberação da faixa na contramão para os ônibus subirem com os passageiros na ponte o que, em teoria, ajudaria a aliviar o tráfego.

“O maior beneficiado nessa história toda é o empresário. O passageiro paga R$ 3,35 e pode demorar dez dias para chegar na casa dele, que o valor pago não muda, mas com o táxi, não é assim. Quando paramos no fluxo, o taxímetro continua contando, e a corrida que daria R$ 15 pode dar R$ 20”, concluiu.

Agora RN

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