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Em Mossoró: Duelo distancia Executivo e servidor de missão comum

Por Gutemberg DiasDesde a posse da atual prefeita Rosalba Cialini (PP) para seu quarto mandato na municipalidade, em janeiro deste ano, que os servidores públicos municipais vêm em franco duelo com sua gestão. Inicialmente pela cobrança dos salários em atraso e, mais recentemente, pelo reajuste ofertado no acordo coletivo.

Diante disso, as paralisações se tornaram parte do contra-ataque do sindicato ao que consideram um desrespeito aos servidores.

Será que não é esse o momento de repensar o modelo administrativo e o papel do servidor no âmbito da gestão municipal? Tanto a gestão municipal quanto o sindicato será que não precisam fazer uma autocrítica?

Não resta dúvida que é preciso que a gestão assuma um compromisso ético-político de realizar uma gestão pública democrática, participava, ágil e eficiente, reservando uma atenção especial aos servidores públicos do município.

Vale lembrar que os servidores são sujeitos sociais determinantes na dinâmica das relações sociais da estrutura organizacional do município e quem tem um papel importantíssimo para qualquer mudança de rumo administrativo.

Neste sentido é preciso que se estabeleça uma política de valorização do servidor público municipal que contemple a elevação da autoestima, uma permanente qualificação, salários dignos, instituição da meritocracia e humanização das relações de trabalho.

A valorização do servidor público precisa ser ampla e irrestrita. Por isso que acredito que o melhor caminho para isso seria a criação de um único Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCR) que contemple todas as carreiras e que as regras sejam iguais para todos, obviamente, levando em conta as especificidades de algumas funções.

Será muito difícil conquistar essa valorização quando dentro do próprio sistema tem servidores que tem suas mudanças de níveis movidas a jatos propulsores e outros que nem se quer tem um PCCR para dizer que é seu.

Uma outra forma de melhorar a relação com os servidores é elaborar e implementar um programa visando a melhoria da comunicação interna, capaz de promover a articulação das ações entre setores e socializar as informações com agilidade. Dessa forma, será possível pensar de forma sistêmica e otimizar as ações de gestão. Vamos dizer que é preciso fazer valer o endomarketing.

Um outro caminho é elaborar um manual de rotinas do trabalho de cada órgão/setor, estabelecendo o fluxo operacional e de tramitação, contendo o detalhamento de atribuições e competências de cada função. Essa ação certamente garantirá a definição clara do que cada servidor é responsável e assim facilitará a forma, também, dele ser cobrado.

É importante frisar que sem adotar o Planejamento Estratégico, como instrumento norteador e balizador 
da gestão de qualidade, 
fica muito difícil que a gestão pública tome novos rumos. É preciso que o servidor e a própria gestão saibam o que querem e quais são seus propósitos.

É urgente estruturar um programa de capacitação profissional direcionada 
para todas as categorias de trabalhadores envolvidos na prestação dos serviços básicos. Sem ampliar o nível de conhecimento do servidor para os diversos segmentos que ele irá atuar não poderemos ter no futuro uma mudança de valores.

A capacitação é peça chave na engrenagem de uma gestão com foco em resultados.

Por fim, é indispensável um grande censo para entender onde estão os servidores públicos e se é preciso fazer a reorganização de equipes, ou se é preciso ampliar o quadro de servidores públicos do município, através da realização de concursos públicos, para adequar a estrutura administrativa a uma realidade que possa efetivamente atender as necessidades da população.

É bom ressaltar que concurso público tem um papel muito importante para acabar com a questão do nepotismo e, também, do clientelismo que toma conta da administração pública de um modo geral.

A pergunta que fica no ar é bem simples: será que a atual gestão municipal de Mossoró tem ímpeto e coragem para repensar a questão dos servidores públicos dentro dessa linha de raciocínio?

Sei que não é fácil mudar algo que está enraizado tanto na cultura administrativa municipal, quanto na própria essência do servidor. Sem dúvida que num processo como esse as dores vão aflorar com muita intensidade.

Diante disso é imprescindível que as partes saibam ceder para que todos ganhem ao final de um processo de reestruturação que, certamente, trará ganhos a todos que fazem a administração pública municipal de Mossoró.

A força da mudança não está apenas no gestor, mas em todos que fazem a gestão, incluindo os servidores. Esse duelo desgasta e distancia Executivo e servidor de missão comum: servir à comunidade.

Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre em Ciências Naturais, empresário e presidente da Redepetro/RN.

Via: Blog Carlos Santos

www.blogclaudiooliveira.com

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