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Noite de segunda-feira na Sapucaí terá escolas tradicionais e mais crítica social

Um rato gigante promete causar repulsa no desfile da Beija-Flor Foto: Fábio Guimarães / Agência O GloboRafael Galdo

Em mais uma noite de espetáculo e brilho na Marquês de Sapucaí, os desfiles da segunda noite do Grupo Especial prometem emocionar e animar o público. Assim como a Mangueira, que desfilou neste domingo, a Beija-Flor também desfila sem amarras de enredos patrocinados e traz a crítica social e política para a Avenida do Samba.

Uma das atuais campeãs, a Portela levará para a Avenida um desfile com os traços mais clássicos de uma das maiores campeãs da era Sambódromo, Rosa Magalhães. Ao mesmo tempo, o Salgueiro se renova, sem perder o requinte que lhe é característico. Tem ainda a noite no Museu Nacional proporcionada pela Imperatriz Leopoldinense, cheia de surpresas.
A briga, ao que tudo indica, será das mais equilibradas. É provável que em poucos momentos se perceba, na prática, a crise atravessada pelas agremiações. E que, mais uma vez, o espetáculo prove sua capacidade de se reinventar pelas mãos de carnavalescos, compositores, ritmistas, passistas, cantores, senhores da velha guarda, casais de mestre-sala e porta-bandeira... Enfim, sambistas que são a razão de ser da festa.

APLAUSOS PARA UMA ESTRELA
Ritmistas vestidos de Caco Antibes, baianas fantasiadas de “As noivas de Copacabana” e alegoria com a teia de “O beijo da mulher aranha”. Só poderia ser uma homenagem ao multitalentoso Miguel Falabella, ator, diretor, autor, apresentador de TV e carnavalesco de escola de samba. Ele é o personagem do ano da Unidos da Tijuca, que iniciará seu desfile pela infância do artista, quando ele ganhou um exemplar de “O pequeno príncipe” que o despertou para a carreira que seguiria na vida adulta.

Depois, a azul e amarela recordará clássicos escritos, interpretados ou dirigidos por ele, como o programa “Vídeo Show” e o humorístico “Pé na Cova”. Estrelas que trabalharam com Falabella, como Cláudia Raia, marcarão presença. Marisa Orth deve vir caracterizada de Magda, de “Sai de baixo”, à frente da bateria, junto com a rainha Juliana Alves. Numa alegoria, Arlete Salles reviverá Copélia, de “Toma lá dá cá”. E o homenageado é esperado no último carro, para fechar em alto astral o desfile da escola do Borel.

UMA ODISSEIA DE RECIFE A NOVA YORK
Uma história incrível, daquelas que só a carnavalesca Rosa Magalhães poderia revelar em plena festa da Sapucaí: assim será o enredo da Portela neste ano, que contará como judeus de Pernambuco, expulsos da região pelos portugueses no período colonial, ajudaram a fundar a cidade de Nova York. Inspirada no livro “Caminhos Cruzados”, do jornalista Paulo Carneiro, Rosa abrirá seu desfile numa colorida Recife, para depois contar as dificuldades encontradas pelo grupo em fuga, de navio, até os atuais Estados Unidos.

Uma das alegorias mostrará um ataque de piratas no mar do Caribe. E, no final, será representada a Nova York contemporânea, com uma Estátua da Liberdade à frente de um dos carros alegóricos. Será também um enredo para tocar na ferida de um dos principais dramas do mundo atual, o dos refugiados que tentam escapar das guerras e da pobreza. Com esse intuito, um dos convidados do desfile é o sírio Mohamed Ali Kenawy, vítima de um ataque xenofóbico em agosto do ano passado, em Copacabana.

DE COMER COM OS OLHOS
O desfile da União da Ilha vai dar água na boca na Sapucaí. A escola contará a história da culinária brasileira, misturando influências indígenas, portuguesas e africanas. No banquete insulano, vai ter coxinha, brigadeiro, tacacá, paçoca e, claro, feijoada. Logo numa das primeiras alas, a escola representará uma das delícias tipo exportação do país: o café. As baianas virão com saias repletas de imagens de bananas. Os ritmistas serão cozinheiros de raros sabores. E, no fim, uma das fantasias lembrará o gosto do açaí. O último carro será um grande botequim, considerado pela agremiação como uma “instituição nacional”.

Assim, falando de comida, a escola acabou entusiasmando não só a comunidade, mas também 82 chefs de cozinha que desfilarão na passarela. Capitaneados por Flávia Quaresma e Kátia Barbosa, eles se espalharão por duas alegorias. Entre os que confirmaram presença para cair no samba estão nomes estrelados como Roberta Sudbrack, Felipe Bronze, Claude Troisgros, Laurent Suaudeau e Erick Jacquin.

A APOTEOSE DO PODER DAS MULHERES
As matriarcas negras da humanidade vão desfilar no Salgueiro. A escola — dirigida por uma mulher e que, em 2007, já tinha cantado as Candaces, para celebrar as figuras femininas nas culturas da África e do Brasil — volta à temática, desta vez com o carnavalesco Alex de Souza, que estreia na vermelha e branca. Passarão pela Avenida as heroínas do passado, como as deusas egípcias, as soberanas de Angola e as líderes quilombolas. Num dos carros, sobre as rainhas do Norte africano, uma grande escultura representará a deusa da fertilidade, Ísis, amamentando seu filho, Hórus.

Mas serão homenageadas também as guerreiras da modernidade, muitas delas chefes de família. Da mesma forma que serão lembrados enredos da própria agremiação, que ajudou a revelar ao país histórias como a de Chica da Silva. Num desfile em que todo o poder será feminino, ganharão destaque ainda sambistas essenciais à força da vermelha e branca, como baianas, passistas, porta-bandeiras e senhoras da velha guarda. Tudo com o luxo típico do Salgueiro.

UMA AVENTURA FANTÁSTICA
A noite no Museu Nacional da Imperatriz Leopoldinense será cheia de surpresas. Assim como no filme de Hollywood, que se passa no American Museum of Natural History, de Nova York, a versão carioca dessa aventura dará vida ao acervo de mais de 20 milhões de itens de uma mais importantes instituições científicas e antropológicas da América Latina.

Ao abrir as portas do palácio que abriga o museu, a verde e branco promoverá uma revoada de insetos na Sapucaí, passeará pelos exemplares raros da flora brasileira e mostrará a coleção de peças indígenas e pré-colombianas guardada no bairro de São Cristóvão. Entre as muitas histórias contadas nos salões da antiga casa da Família Real, o carnavalesco Cahê Rodrigues decidiu dar destaque, por exemplo, ao sarcófago de uma cantora do Egito Antigo comprado por Dom Pedro I em suas viagens mundo afora. No fim, a Rainha de Ramos vai retratar um amanhecer na Quinta da Boa Vista, e aproveitará para cobrar das autoridades governamentais uma melhor conservação do espaço de lazer da Zona Norte.

CRÔNICA SOBRE O BRASIL ATUAL
Esqueça o luxo que marcou época na Beija-Flor. A escola promoverá neste ano uma reviravolta em sua estética para abordar as mazelas sociais e a corrupção do Brasil atual. Mais para os primeiros setores do clássico desfile “Ratos e Urubus — Larguem minha fantasia”, de 1989, e menos para os últimos campeonatos opulentos da azul e branco, a agremiação terá uma de suas alegorias confeccionadas com material que poderia ser encontrado no lixo, como pneus e baldes.

A teatralização, tanto nas alas quanto nas alegorias, também será um dos trunfos da Deusa da Passarela. A todo instante, têm dito os carnavalescos nilopolitanos, os carros da escola sofrerão metamorfoses na Avenida. Um deles terá um rato gigante, numa referência aos maus governantes, e um prédio da Petrobras que, ao longo do Sambódromo, se transformará numa favela. Malas de dinheiro, crianças abandonadas nas ruas e o caos na saúde pública completarão o quadro de um país no CTI que será apresentado pela Beija-Flor.

EXTRA

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