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Lula decide nas próximas horas como cumprirá ordem de prisão

Grupo de petistas defende que o ex-presidente não se entregue e force a Polícia Federal a prendê-lo na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo


O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva acena para apoiadores da janela do Sindicato do ABC, em São Bernardo - MIGUEL SCHINCARIOL / AFP


SÃO BERNARDO DO CAMPO - O ex-presidente Lula decide nas próximas horas como cumprirá a ordem de prisão determinada pelo juiz Sergio Moro, que deu prazo até as 17h de hoje para o petista se apresentar na sede da Polícia Federal em Curitiba. Um grupo de petistas quer que ele não se entregue e force a polícia a prendê-lo na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo. Ao mesmo tempo, alguns advogados de defesa do ex-presidente defendem que ele se apresente voluntariamente à Polícia Federal nesta sexta-feira.


Lula passou a madrugada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde apoiadores fazem uma vigília.
O ex-presidente se reuniu com lideranças de esquerda, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o deputado Paulo Pimenta, o senador Lindbergh Farias, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, Manuela d´Ávila (PCdoB), Luiz Marinho, os governadores Camilo Santana (Ceará) e Wellington Dias (Piauí), Guilherme Boulos, lider do MTST, e Wagner Santana, presidente do sindicato do ABC. Por volta de 2h da madrugada, Lula foi até uma janela do prédio e acenou para apoiadores.
Quando a ex-presidente Dilma Rousseff desceu ao saguão do prédio, os manifestantes reunidos no local inciaram um grito em coro: "Não vai prender, vai ter luta".

Lula tem conversado com aliados sobre o que deve fazer, mas ainda não anunciou a sua decisão.


- Foi uma prisão ilegal, ainda faltava o tempo dos embargos dos embargos, então, se é isso mesmo que estão fazendo, eles que venham aqui no meio do povo. É a minha posição - disse o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), um dos defensores da estratégia de o presidente não se entregar.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - PAULO WHITAKER / REUTERS
Reservadamente, a ideia também é defendida por outras lideranças.

- Vai ser com um mar de gente aqui na frente. Quem se entrega parece que tem culpa, e não é o caso do presidente Lula. Vamos ter uma imagem para rodar o mundo e o Brasil - acrescentou Lindbergh.

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) defendeu, em sua conta no Twitter, que Lula não se entregue em Curitiba, como foi determinado por Moro.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e movimentos de esquerda como Frente Brasil Popular, União da Juventude Socialista do PCdoB e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) convocaram a militância para fazer a vigília contra a prisão de Lula em frente à sede do Sindicato do ABC.

MST

O Movimento dos Sem Terra (MST) pretende realizar uma série de atos nesta sexta-feira pelo país como reação à decretação da prisão de Lula. O principal foco será o fechamento de rodovias. De acordo com um líder do movimento, o objetivo é impedir a circulação em 85 estradas.

Paralelamente, o MST mobilizou 20 ônibus para levar integrantes ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde o PT concentra a ofensiva contra a decisão do juiz Sergio Moro.

A Frente Brasil Popular, da qual o MST faz parte ao lado de outros movimentos com a CUT e UNE, convocou atos em 16 capitais. O documento de convocação tem como título: "Querem Lula? Vão ter que passar por nós antes".

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