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Por onde anda Inri Cristo? Ou: qual o benefício do Satanismo para o mundo?

Com seu jeito bronco e charlatão, o Jesus de Indaial desmascara os preconceitos dos líderes religiosos que se acham donos da verdade
Por Maicon Tenfen
Ele se diz o filho de Deus, mas todo mundo cai na gargalhada (Valter Campanato/ABr/VEJA/VEJA)
— Inri Cristo é um dos maiores líderes religiosos que o Brasil já conheceu.

Calma, gente, calma.

É claro que se trata de uma provocação, e provocação, diga-se já, que não nasce da leviandade. O otimismo em relação ao Jesus de Indaial (SC) — que outro dia completou 70 anos — surge de uma constatação bastante simples: com seu jeito bronco e charlatão, e especialmente em seus momentos mais midiáticos, ele desmascara, sem querer, os preconceitos e a miopia dos líderes religiosos que se acham donos da verdade.

Nesse sentido, e somente nesse, Inri lembra um espetaculoso senhor que se dizia servo de satanás. Esse senhor, que também apareceu na TV com olhar e sorriso serenos, chegou a fundar uma igreja do diabo onde reunia uns poucos seguidores para adorar aquele a quem chamam de “mestre”.

Com o intuito de aprofundar a matéria, representantes de outras tendências religiosas foram questionados a respeito daquela “crença incomum”. O resultado já era esperado. Os mais mansos sugeriram tratamento psiquiátrico ao satanista. Os mais exaltados exigiram cadeia, se possível pena de morte.

Depois foi a vez do servo de satã opinar. Perguntado se aceitaria entrar numa igreja cristã, foi em frente, molhou os dedos na água benta, elogiou as estátuas de santos e as pinturas dos vitrais.

— Não é a minha fé — explicou —, mas respeito quem vem aqui.

Resumindo: enquanto os arautos do bem e da fraternidade deram uma aula de intolerância, o bizarro compadre do capeta até que não fez feio como exemplo de pluralismo cultural.

Com sua excentricidade desconcertante, Inri Cristo age mais ou menos na mesma linha. Seu lado cômico é muito produtivo. Como parece incapaz de demonstrar compostura ou seriedade, logo se tornou uma figura totalmente inofensiva.

O contrário acontece com muitos dos padres, pastores, obreiros e missionários que debatem com ele. Ou contra ele, melhor dizendo. Preocupados em se afirmar como proprietários da Verdade e representantes da única fé possível, acabam por desrespeitar, com uma facilidade espantosa, tudo o que soe estranho ou diferente.

Num dos muitos programas de auditório visitados por Inri, um sacerdote precisou de apenas um argumento para provar que “aquele caipira” jamais poderia ser o filho de Deus reencarnado:

— Quando Jesus voltar para o meio de nós, não será numa carcaça como você!

Carcaça, eis a ofensa.

Salvo engano, o catecismo ensina que Cristianismo é outra coisa.

Da VEJA

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