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COPA: O Brasil na imprensa alemã

Nas temperaturas agradáveis de início de noite, os deuses do futebol treinam no velho estádio do balneário [Sochi] já há algumas semanas. Era assim que os brasileiros eram chamados, antigamente. E, depois da convincente vitória de 2 a 0 contra o México nas oitavas de final, muitos especialistas acreditam que eles estão no caminho desse status. Claro que não tem a ver somente com as instalações que os brasileiros sejam, numa Copa sem a Itália e agora também sem a Alemanha, a Espanha e a Argentina, algo como a última superpotência de pé. Tem a ver sobretudo com o fato de que eles souberam superar melhor a fase de problemas e imponderabilidades que todas as equipes tiveram de enfrentar neste torneio. (..) Quando o México, no segundo tempo, cansou, estava entregue. O ataque brasileiro cortou a defesa mexicana em pedaços. Com um pouquinho de espaço, Neymar, o flecha Willian e Coutinho, em plena forma, são quase impossíveis de serem parados. Sob todos os aspectos, Neymar chegou ao torneio, jogou de forma estupenda apesar de todo o teatro e variou bem pouco o corte de cabelo.

Frankfurter Allgemeine Zeitung – O gênio chorão, 04/07/2018

No mesmo jogo, Neymar brilha e grita, cria jogadas perfeitas e tenta provocar faltas injustas para seus adversários. Não é assim que alguém se torna um herói do futebol. (…) É graças a dois lampejos de genialidade [de Neymar] que o pentacampeão mundial está nas quartas de final contra a Bélgica, em Kazan, na sexta-feira. Até aí, tudo certo. Que depois disso não se tenha falado sobre o artista, o driblador, o craque e o esteta do futebol de Santos, mas sobre o outro Neymar, aquele que conhece como ninguém as manobras, o drama, a simulação de faltas e outras provocações do seu esporte, isso também é algo típico para esse profissional.

Süddeutsche Zeitung – Teatro em grande estilo, 04/07/2018

A arte futebolística de Neymar permanece um espetáculo mesmo quando o craque brasileiro cai. (…) Mas ele não foi o protagonista do jogo por causa de sua arte, mas por causa de seu baixo limite de dor. Sua teatralidade já tem jeito de um tique. (…) Neymar é e continua sendo um espetáculo quando está com a bola. Um dia depois do fracasso da arte asséptica dos espanhóis, ele pôs determinação e ânimo na ordem do dia, chamou a bola para sim, rodopiou pelo avesso os mexicanos, que pela sétima vez desde 1994 caíram nas oitavas de final de uma Copa do Mundo.

BG/DW

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