O dólar voltou a subir nesta segunda-feira, 29, após cair nas últimas duas sessões. Em dia de agenda doméstica esvaziada e mercado volátil pela manhã, operadores ressaltam que fatores técnicos pesaram, principalmente a disputa entre investidores para a definição do referencial Ptax de abril, que ganhou força na tarde desta segunda. No exterior, o dólar caiu ante a maioria das moedas fortes e emergentes, com a visão de que os juros podem ser cortados nos Estados Unidos no segundo semestre. No Brasil, o dólar à vista terminou em alta de 0,24%, a R$ 3,9409.A Ptax de abril será definida no início da tarde desta terça-feira (30) e a disputa entre comprados e vendidos deve ganhar ainda mais força na primeira parte dos negócios de amanhã. O referencial será usado na quinta-feira, após o feriado do Dia do Trabalho, para a liquidação dos contratos do dólar que vencem em 2 maio, além dos ajustes dos contratos cambiais futuros e de swap cambial com vencimentos em meses subsequentes.

O operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello, ressalta que os dois dias finais de cada mês costumam apresentar volatilidade acima da média, por conta da disputa entre os comprados e vendidos na Ptax. Nesta segunda, a moeda chegou a cair a R$ 3,9216, na mínima do dia, e a bater em R$ 3,9446 na máxima. O principal tema monitorado pelo mercado, a reforma da Previdência, ressalta ele, não deve ter novidades nesta semana. A comissão especial só deve se reunir para discutir o assunto na semana que vem.

No exterior, a agenda está carregada esta semana, especialmente nos Estados Unidos, o que ajuda a manter o tom de cautela no mercado doméstico. Na quarta-feira, com o mercado fechado aqui, os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciam sua decisão de política monetária, às 15h (de Brasília). Na sexta-feira, saem dados mensais do mercado de trabalho, também levados em conta nas reuniões do Fed.

A expectativa é de manutenção dos juros, mas a maior atenção é para as declarações em seguida do presidente do Fed, Jerome Powell, ressalta o economista do Royal Bank of Canada (RBC), Tom Porcelli. A dúvida é se o dirigente vai sinalizar um possível corte de juros, por conta dos recentes números fracos de inflação nos EUA. O economista não acredita nessa possibilidade. “Powell não deve se mostrar convencido da necessidade de cortar os juros no curto prazo”, ressalta ele.

A expectativa de que os juros podem ser cortados nos EUA fez o dólar perder força no exterior. O índice DXY, que mede a variação da moeda americana ante divisas fortes, caiu 0,16%, para abaixo do nível de 98 pontos. Na manhã desta segunda, foi divulgado o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês). O núcleo do indicador ficou estável, enquanto se esperava alta de 0,1% em março ante fevereiro.

Estadão Conteúdo

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