O STF decidiu na semana passada que o Congresso Nacional precisa dar autorização prévia para a privatização das empresas estatais — mas não precisa se manifestar em relação à venda de suas subsidiárias. Ótimo. Esse foi mais um desses momentos rumorosos, que têm se repetido com insistência, em que ministros da Corte se prestam a analisar leis que, como no caso específico da desestatização, já foram aplicadas à exaustão e que, a rigor, deveriam prescindir dos escrutínios judiciais.
Desde 1991, quando a venda da Usiminas inaugurou uma breve temporada de tentativas de redução do tamanho do Estado , mais de 20 empresas foram transferidas para a iniciativa privada sem que o judiciário visse irregularidades no processo. Mesmo assim, o STF resolveu voltar ao assunto e se manifestar agora. E quando a Suprema Corte fala, todos devem ouvir. Ponto final.

Diga-se em favor dos ministros que trouxeram o tema novamente à baila que, pelo menos, foi posta a ordem num debate que sempre motivou a ação de pessoas interessadas, senão em impedir, pelo menos em dificultar o enxugamento da máquina. Mas enquanto discussões desse tipo continuam mobilizando paixões em Brasília, a situação continua indo mal no mundo real. Nesse ambiente chamado mercado, onde as empresas produzem, geram empregos e recolhem impostos, as estatais continuam sendo um fardo pesado para o contribuinte brasileiro. E mesmo aquelas empresas que hoje são intocáveis como uma vaca sagrada, correm o risco de desaparecer nos próximos anos se não houver uma mudança profunda no seu modelo de gestão e de relacionamento com os clientes.
AGÊNCIAS DE BOLSO
Tome-se, por exemplo, o Banco do Brasil , a mais longeva das estatais brasileiras. Se nada for feito para evitar — ou melhor, se não houver uma mudança rápida da mentalidade em torno da instituição —, ele corre o risco de sumir do mapa nos próximos anos. Não por ação de seus concorrentes, mas por incapacidade de acompanhar as transformações do mercado em que opera. Num mundo financeiro cada vez mais tomado por novidades como as fintechs e as agências bancárias que cabem no telefone celular, o BB pode ir a pique não por falta de musculatura, que ele tem de sobra, mas por falta de agilidade.
Em 2016, O BB anunciou um plano ousado, que propunha fechar mais de mil agências e postos de atendimento dos mais de 6.000 que tinha pelo Brasil afora. Chegou a por essa política em prática e, em 2017, eliminou 670 agências — mas não conseguiu cumprir a meta a que se propôs. O plano de enxugamento foi abortado antes de concluído e o novo presidente da instituição, Rubem Novaes, chegou a declarar logo depois de tomar posse, em janeiro deste ano, que, em sua opinião, a rede deve permanecer como está — e que a redução da máquina estatal defendida pelo ministro da Economia Paulo Guedes não diz respeito ao banco. O mercado pode mudar, mas o BB permanecerá como está.


Fonte: Economia - iGFoto: Divulgação Banco do Brasil e Marcos Corrêa/PR

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