Momento em que Donald Trump cruza a fronteira entre as Coreias Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

Donald Trump se tornou o primeiro presidente americano a pisar na Coreia do Norte . Trump cruzou a fronteira entre as duas Coreias durante seu terceiro encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-un . A iniciativa partiu do presidente americano, que fez um convite inesperado a Kim para uma reunião na Zona Desmilitarizada (DMZ) que divide a península.— É um grande dia para o mundo. Queremos acabar com um passado desagradável e tentar criar um novo futuro — afirmou Trump enquanto estava em solo norte-coreano.

Trump aproveitou o encontro para convidar o King Jong-un para os Estados Unidos e anunciar que os países voltarão a negociar o fim do programa nuclear da Coreia do Norte. Já o ditador norte-coreano disse que seria uma honra se Trump visitasse a capital Pyongyang. Kim Jong-un afirmou que a ação do presidente americano era uma prova da sua vontade de trabalhar pelo futuro.

A DMZ é uma faixa territorial estabelecida em 1953 com quatro quilômetros de extensão, cercada por arame farpado, na Península Coreana. Há soldados dos dois lados da fronteira permanentemente.

Pouco antes de deixar o Japão, onde participou na reunião do G-20 na cidade de Osaka, Trump havia feito uma proposta inesperada pelo Twitter. “Após várias reuniões muito importantes (…) deixarei o Japão rumo a Coreia do Sul (com o presidente Moon). Enquanto estiver lá, se o presidente Kim da Coreia do Norte olhar isto, eu o encontraria na Fronteira/DMZ apenas para apertar sua mão e dizer Olá”, escreveu.

A iniciativa foi uma surpresa após a última reunião entre Trump e Kim, que acabou sem um acordo sobre o programa nuclear norte-coreano. Pouco depois, o presidente americano explicou que agiu por instinto e que não houve nenhum preparativo. “Tive a ideia esta manhã”, disse.

– Ficaria muito confortável fazendo isso, não seria nenhum problema – respondeu, ao ser questionado sobre uma eventual entrada no lado do Norte, um local com forte carga simbólica.

Trump afirmou que Kim “segue” sua conta em uma rede social, e que receberam “rapidamente” uma resposta. Ao considerar a proposta “muito interessante”, o regime norte-coreano, por sua vez, afirmou que não recebeu nenhum convite oficial, mas deu a entender que o encontro pode acontecer.

O governo sul-coreano afirmou que Trump aproveitou um breve encontro com o presidente Moon Jae-in no G20 para perguntar se havia lido seu tuite. “Vamos tentar fazer”, declarou, entusiasmado.

A mensagem, publicada por Trump no início da manhã de sábado, pelo horário de Osaka, foi antecedida por uma recente troca de mensagens entre os dois líderes, além de rumores sobre negociações diplomáticas nos bastidores com o objetivo de viabilizar um terceiro encontro .

A última reunião entre Trump e o ditador norte-coreano, ocorrida em fevereiro, em Hanói, foi cercada por muita expectativa sobre um possível acordo. Mas as negociações emperraram por causa das divergências em relação a quanto cada lado deveria entregar inicialmente.

Segundo os EUA, as conversas chegaram a um impasse quando os norte-coreanos exigiram a suspensão de todas as sanções em troca de uma desnuclearização parcial, sem abrir mão das armas nucleares.

O governo de Pyongyang não confirma essa versão, e diz que pediu a suspensão de apenas algumas medidas, oferecendo em troca o fechamento, em definitivo , do centro de pesquisa de Yongbyon, considerado o “coração” do programa nuclear norte-coreano.

O GLOBO

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