Por Breno Perruci/@eaiboracorrer

Você é do tipo detalhista com a biomecânica ou é de boa quanto a isso? Segundo especialistas, nem tanto, nem tão pouco. Como tudo na vida e nos treinos, equilíbrio é o segredo do sucesso.Quando mergulhei de cabeça no mundo das corridas e passei para provas mais longas, treinando com mais intensidade, comecei a sofrer muito com câimbras nas panturrilhas. Já escrevi sobre isso. Após muita investigação descobri que as causas estavam na minha biomecânica errada. No pensamento de reverter o quadro, fui pesquisar sobre o assunto, observar outros corredores, e de tanto querer melhorar, fiquei quase que paranoico. Menos mal que isso até certo ponto é natural pra quem tá buscando alto rendimento, afinal eu queria melhorar pra ontem, de imediato.

Pergunta vai, pergunta vem, de tanto encher meus treinadores sobre técnica de corrida se esse movimento tá certo, se aquele tá errado, ouvi duas frases parecidas de dois deles que me fizeram cair a ficha. Leo Lopes, meu personal trainer disse: “Não se torne um mecanicista tão ao pé da letra. Essa busca extrema pode te tirar do foco dos seus reais objetivos”. E Paulo Rafael, meu técnico, acrescentou: “Relaxe, curta a corrida, mantenha o olhar nas planilhas e aos poucos você vai ficando melhor”.

Diante disso pensei, por que não compartilhar a situação? Com certeza muitos corredores já passaram, passam ou vão passar por ela. É um cenário mais comum que se imagina.

Pra ser mais didático bati um papo com Cid Barbosa, triatleta e Head Coach da CB Sports. “O mais importante de tudo é cada um ter sua própria consciência corporal. Saber a forma que anda, que para, que senta, que faz qualquer movimento. Dar os comandos do que vai fazer e saber porque está fazendo. Melhorar a biomecânica não significa correr bonito, significa gasta menos energia e correr com menos risco de se machucar”, destaca Cid.

Segundo ele, o conceito de biomecânica vai além de alto rendimento, busca principalmente a longevidade no esporte pela ausência de lesões e pela economia de energia ao executar os movimentos corretos. Pra ser ainda mais objetivo, o fundamental mesmo é preparar o corpo para o exercício. Preparar massa óssea, tendões, articulações e músculos. Dar mobilidade, equilíbrio, estabilidade e fortalecimento em cada área específica. Tendo isso, mesmo correndo esteticamente errado, o risco de lesionar é mínimo e a possibilidade de evoluir é alta.

Resumindo, até existe de fato um padrão mais correto para corrida, o chamado padrão motor. Mas antes de qualquer coisa você precisa saber qual o seu padrão atual e muita coisa influencia nisso, seu tamanho, peso e até o tipo de prova que você corre. Para se conhecer melhor, se fotografe e faça vídeos laterais. Se quiser algo mais preciso, faça uma avaliação biomecânica. Se tiver longe do ideal, nada de desespero, converse com seu treinador, identifique as causas das falhas posturais, muitas vezes são fraquezas de alguns músculos e desequilíbrios articulares, e trabalhe nessas causas. É justamente o meu compasso atual. Mais desencanado, trabalhando nas fraquezas com musculação direcionada e treinamento integrado, tanto que algumas melhorias aos poucos já aparecem, como na foto acima.

Enfim, não corra preocupado com pé, braço, escápula. Foque no seu objetivo e repito, trabalhe as causas. As correções posturais virão naturalmente.

BG

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