Para ministro da Economia, uma alíquota baixa 'não distorce tanto'; proposta do governo de reforma tributária também deve alterar o Imposto de Renda
Por da Redação

Projeto de reforma tributária prevê tributo sobre operações financeiras, como a antiga CPMF (Marcelo Camargo/Agência Brasil)O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira, 21, que a classe política terá de decidir se apoiará ideia do governo que deve ser proposta ao Congresso de desonerar a folha de pagamento em troca da implantação de um imposto sobre transações financeiras, similar à extinta CPMF. O novo tributo deve integrar o projeto do governo da reforma tributária.

Em entrevista após reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e outros parlamentares, Guedes lembrou que a CPMF, tributo sobre transações criado no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e extinto pelo Congresso durante o governo Lula, recebeu apoio de economistas. Também avaliou que, numa alíquota baixa, ele “não distorce tanto”.

“Nós podemos propor desoneração forte da folha de pagamento a troco da entrada desse imposto. Se a classe política achar que as distorções causadas pelo imposto são piores do que os 30 milhões de desempregados e sem carteira de trabalho, aí não exercita, é uma opção justa, é um trabalho difícil”, afirmou.

Guedes voltou a indicar que a proposta do governo tratará dos tributos federais, mas reconheceu que o texto poderá ficar mais abrangente a partir da contribuição dos parlamentares. “Nós achamos que o governo federal tem que mandar a parte dele e naturalmente o Congresso vai encaixar o resto”, disse ele, após classificar a reforma tributária que ainda será encaminhada pelo Executivo como “bastante conciliatória”, marcada também pela proposta de reestruturação do Imposto de Renda. A correção da tabela e alterações nas deduções devem ser tratadas no texto.


Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do governo chegar ao Congresso, haverá reabertura do prazo de emendas parlamentares na comissão especial da Casa que já está analisando outra proposta sobre o tema. O projeto que tramita no colegiado é de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), construído em cima de estudos do economista Bernard Appy. Três impostos federais (IPI, PIS e Cofins), o estadual ICMS e o municipal ISS são transformados em um único Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Eletrobras

A reunião de Guedes com Maia e uma série de líderes da Câmara foi marcada para discutir a Eletrobras. Na véspera, a Câmara rejeitou a Medida Provisória 897, que autorizava o Tesouro a realizar pagamento de 3,5 bilhões de reais à estatal até 2021 e aprovava outros créditos para a empresa. Tanto Guedes como Maia destacaram que o aporte de recursos privados na empresa é necessário para que ela volte a ter capacidade de investir, mas ambos deram poucas pistas sobre qual caminho será efetivamente escolhido para pavimentar sua privatização. A Eletrobras é uma das empresas na lista das 17 estatais que devem ter o anúncio de privatização feito hoje, conforme adiantou VEJA.

Maia afirmou que os deputados vão se empenhar novamente na questão da Eletrobras, e que combinou nesta quarta-feira com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que será realizada mais uma reunião para que se possa construir um projeto “o mais rápido possível”. Já Guedes alertou que Eletrobras vai “colapsar” caso não consiga manter ritmo de investimentos e que o melhor modelo para a companhia é o de uma corporation, sem controlador definido.

(Com Reuters)/VEJA

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