O custo extra de 7 bilhões de reais tem causado resistência da equipe econômica do governo, que não vê espaço no Orçamento.
Reformista na economia (e polemista em muitas outras áreas), o governo Bolsonaro não deixou uma marca social após um ano de mandato. Isso pode estar para mudar com o anúncio, previsto para os próximos dias, de uma reformulação do Bolsa-Família, um programa historicamente criticado por Bolsonaro.
As possíveis mudanças no programa de transferência de renda, criado em 2003, foram antecipadas pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, em entrevista ao Estado de S. Paulo publicada nesta segunda-feira.
Uma delas seria o reajuste no critério de entrada. A faixa considerada de extrema pobreza iria dos 89 reais per capita atuais para 100 reais, enquanto a de pobreza iria de 178 reais para 200 reais. O benefício médio pago a cada família é hoje de 189,21 reais e depende de critérios como o número de filhos na família.
A ideia, segundo Terra, seria estender o benefício pago para quem tem em casa crianças com até seis meses, assim como manter o pagamento por dois anos mesmo para quem arruma um emprego, de forma a garantir que a saída seja suave. Além disso, o governo estuda a criação de bônus anual às famílias com jovens com bom desempenho escolar ou que fazem cursos profissionalizantes.
Na semana passada, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse que o conceito era privilegiar o “mérito” e confirmou que o Bolsa Família também pode mudar de nome – “Renda Brasil” é uma das opções que circulam na imprensa.
O Bolsa Família atende hoje cerca de 13 milhões de pessoas com custo próximo de 30 bilhões de reais. A reformulação adicionaria 4,5 bilhões de reais a este valor, que se somariam aos 2,5 bilhões de reais necessários para pagar uma 13ª parcela aos beneficiários, instituída via Medida Provisória no final de 2019.
O custo extra de 7 bilhões de reais tem causado resistência da equipe econômica do governo, que não vê espaço no Orçamento diante do aperto fiscal e da vigência do teto de gastos. Em dezembro, o governo já teve que remanejar dinheiro da Previdência para conseguir pagar o 13º do Bolsa Família.

Fonte: Exame
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

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